Os Sete Reinos da Kimbanda

Uma introdução à geografia espiritual da tradição

Para compreender a Kimbanda além das incorporações, dos nomes de Exús e Pombagiras e das práticas que se tornaram populares, é necessário conhecer uma de suas estruturas fundamentais: os Reinos.

Quando falamos em Reino dentro da Kimbanda, não estamos utilizando a palavra apenas para indicar um lugar físico. O Reino representa um campo de força, manifestação e organização espiritual. É por meio dessa estrutura que começamos a compreender por que determinadas entidades possuem relações específicas com certos territórios e por que seus fundamentos não podem ser estudados isoladamente.

Na Quimbanda Labhanã, trabalhamos com uma organização de Sete Reinos: Encruzilhada, Cruzeiro, Matas, Lira, Almas, Cemitério e Mar. Cada um possui características próprias e, dentro deles, encontramos organizações mais profundas que serão estudadas em outros níveis de conhecimento.

O que significa um Reino na Kimbanda?

Um erro comum é imaginar os Reinos simplesmente como endereços onde determinados Exús trabalham. Assim, a Encruzilhada seria apenas o cruzamento de caminhos; as Matas seriam apenas uma floresta; o Cemitério seria somente o local onde os mortos são sepultados; e o Mar seria somente a água salgada.

O conceito é mais amplo.

O território físico pode expressar uma força, mas não esgota o significado do Reino. Cada Reino está relacionado a determinadas manifestações, movimentos e campos de atuação. É justamente por isso que estudar os Reinos exige mais do que decorar nomes.

Na caminhada iniciática, o aluno começa progressivamente a compreender essas diferenças. Primeiro reconhece a estrutura; depois aprende a identificar suas manifestações; somente em níveis posteriores determinados fundamentos são apresentados.

Os Sete Reinos

Na organização transmitida pela Quimbanda Labhanã, os Reinos são:

1. Reino da Encruzilhada — relacionado aos encontros, cruzamentos, escolhas e movimentos dos caminhos.

2. Reino do Cruzeiro — possui uma particularidade importante em nossa tradição: o Cruzeiro está presente em todos os Reinos. Sua compreensão, portanto, é muito mais ampla do que a ideia de um único ponto físico.

3. Reino das Matas — ligado aos territórios naturais e às forças que se manifestam através deles, possuindo características próprias dentro da organização da Kimbanda.

4. Reino da Lira — um dos Reinos que mais gera dúvidas entre aqueles que estão começando, principalmente porque seu significado não pode ser compreendido apenas procurando uma correspondência geográfica simples.

5. Reino das Almas — relacionado ao campo das Almas e a uma estrutura espiritual que exige cuidado para não ser confundida simplesmente com o Reino do Cemitério.

6. Reino do Cemitério — possui relações profundas com os territórios dos mortos e com determinadas manifestações da ancestralidade, mas sua estrutura vai muito além da ideia popular de “Exú de cemitério”.

7. Reino do Mar — representa outro grande território de força dentro da Kimbanda e possui suas próprias manifestações, entidades e organizações.

Essa apresentação é propositalmente introdutória. Conhecer os nomes dos Sete Reinos é apenas o primeiro passo. O estudo começa realmente quando entendemos como cada Reino se organiza e como eles se relacionam entre si.

Reino, Povo e entidade não são a mesma coisa

Esse ponto é fundamental para quem deseja avançar.

Uma entidade possuir relação com determinado Reino não significa que o nome do Reino seja suficiente para explicar toda a sua atuação. Dentro dessa geografia espiritual existem outras formas de organização.

É aqui que começam a aparecer conceitos como Povos e Sub-Reinos.

Também encontramos relações entre diferentes territórios. Uma manifestação pode apresentar características que não são explicadas por uma classificação superficial de “este Exú pertence aqui e aquela Pombagira pertence ali”.

Entretanto, entrar profundamente nessa organização significaria avançar para conteúdos que pertencem ao estudo específico dos Reinos. Por isso, nesta matéria, nosso objetivo é compreender a estrutura sem antecipar aquilo que precisa ser estudado posteriormente.

Os Reinos e os Exús e Pombagiras

Quando anteriormente estudamos quem são os Exús e quem são as Pombagiras, vimos que conhecer apenas o nome de uma entidade é insuficiente.

Os Reinos começam a responder uma pergunta mais profunda:

Onde essa entidade se posiciona dentro da organização espiritual da Kimbanda?

A partir daí surgem outras perguntas: a qual Povo está relacionada? Como aquele território influencia sua manifestação? Existem relações com outros Reinos? O mesmo nome pode aparecer relacionado a campos diferentes?

Essas questões mostram por que a Kimbanda não pode ser compreendida através de listas retiradas da internet.

Existe uma estrutura por trás dos nomes.

Por que existem diferenças entre tradições?

Ao estudar os Sete Reinos, o leitor provavelmente encontrará classificações diferentes em livros, casas religiosas e conteúdos publicados na internet.

Isso não deve causar surpresa.

A Kimbanda não possui uma autoridade central responsável por estabelecer uma única organização válida para todas as linhagens. Diferentes tradições preservaram e desenvolveram seus próprios sistemas de classificação e transmissão.

Por isso, nesta série, apresentamos a organização adotada pela Quimbanda Labhanã, respeitando a existência de outras formas tradicionais de compreensão.

Conhecer uma tradição exige compreender sua própria linguagem antes de tentar encaixá-la na estrutura de outra.

Os Sete Reinos são apenas o começo

É justamente aqui que o estudo começa a se tornar mais profundo.

Saber que existem Encruzilhada, Cruzeiro, Matas, Lira, Almas, Cemitério e Mar ainda não significa conhecer os Sete Reinos.

Existe uma diferença enorme entre decorar uma classificação e compreender sua estrutura.

Quando avançamos, encontramos Povos, Sub-Reinos, relações entre territórios, características próprias e formas pelas quais determinadas forças se manifestam dentro dessa geografia espiritual.

Parte desse conhecimento pertence ao estudo aprofundado. Outra parte somente encontra sentido dentro da formação e da experiência iniciática.

Por isso, não apresentaremos todos esses fundamentos em uma matéria pública.

Para quem deseja aprofundar o estudo

Esta matéria oferece a base necessária para compreender o que são os Reinos e como eles participam da organização da Kimbanda. O aprofundamento dessa estrutura, porém, faz parte do material de estudo da Escola de Quimbanda.


Escola de Quimbanda — Quimbanda Labhanã
Respeito • Tradição • Ancestralidade